Dr. Márcio Crisanto Ortopedia de coluna

Coluna vertebral · Guia para o paciente

Dor ciática: por que a dor desce pela perna

Aquela dor em choque ou queimação que sai da parte baixa das costas, passa pela nádega e desce pela perna tem nome: ciática. Ela é um sintoma, não uma doença, e na maioria dos casos melhora sem cirurgia.

Conteúdo revisado por Dr. Márcio Crisanto Médico · Ortopedia e Traumatologia · CRM-PE 12253 · RQE 9294 Última revisão:

O que é o nervo ciático e a ciatalgia

O nervo ciático é o maior nervo do corpo. Ele se forma a partir de raízes nervosas que saem da parte baixa da coluna, passa pela nádega e desce pela parte de trás da coxa até a perna e o pé.

Ciatalgia, ou dor ciática, é a dor que segue esse caminho. Ela aparece quando uma dessas raízes é comprimida ou inflamada, quase sempre dentro da coluna. Por isso a ciática é um sintoma: o tratamento depende de descobrir o que está irritando o nervo.

Principais causas

  • Hérnia de disco: a causa mais frequente. Parte do disco que fica entre as vértebras sai do lugar e encosta na raiz do nervo. Entenda mais na página sobre hérnia de disco.
  • Estenose do canal vertebral: estreitamento do canal por onde passam os nervos, ligado ao desgaste da coluna. É mais comum depois dos 60 anos e costuma causar dor e cansaço nas pernas ao caminhar, que aliviam quando a pessoa senta.
  • Espondilolistese: quando uma vértebra escorrega em relação à vértebra de baixo, o que pode apertar a saída do nervo.
  • Síndrome do piriforme: o nervo é irritado por um músculo da nádega, o piriforme. É uma causa menos comum, e esse diagnóstico só é considerado depois de afastadas as causas na coluna.
  • Causas raras: lesões e fraturas, infecções e tumores, que a avaliação médica ajuda a descartar.

Sintomas

  • Dor que desce da lombar ou da nádega pela parte de trás ou pela lateral da coxa, podendo chegar à perna e ao pé, geralmente de um lado só
  • Sensação de choque, queimação ou pontada
  • Formigamento ou dormência na perna ou no pé
  • Fraqueza para levantar a ponta do pé ou para ficar na ponta dos pés
  • Piora ao ficar sentado por muito tempo, tossir, espirrar ou fazer força

Dor lombar ou ciática: qual a diferença?

Dor lombar (lombalgia)

A dor fica na parte baixa das costas. Pode se espalhar para a nádega ou a coxa, mas sem um trajeto definido, e costuma não passar do joelho.

Dor ciática

A dor segue o caminho do nervo e muitas vezes passa do joelho, com formigamento. Costuma incomodar mais na perna do que nas costas.

As duas podem acontecer juntas. Saber qual predomina ajuda o médico a escolher os exames e o tratamento.

Quando procurar atendimento

Vale marcar uma consulta se a dor dura mais de algumas semanas, atrapalha o sono e o trabalho, ou vem com formigamento ou fraqueza. Alguns sinais, porém, pedem atendimento no mesmo dia.

Como é feito o diagnóstico

Na consulta, o médico entende como a dor começou e por onde ela desce. No exame físico, avalia força, sensibilidade e reflexos e faz testes que esticam o nervo, como elevar a perna estendida com o paciente deitado.

Em crises recentes e sem sinais de alerta, os exames de imagem muitas vezes não são necessários no início. A ressonância magnética costuma ser pedida quando a dor persiste após algumas semanas de tratamento, quando há perda de força ou sinais de alerta, ou quando se avalia infiltração ou cirurgia. Em casos selecionados, a eletroneuromiografia, exame que avalia o funcionamento dos nervos, pode ajudar.

Como é o tratamento

O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas. Na maioria dos casos, ele começa sem cirurgia, com uma combinação de medidas:

  • Medicação para aliviar a dor, sempre com prescrição e acompanhamento médico.
  • Fisioterapia, com exercícios para mobilidade, fortalecimento e controle do tronco.
  • Atividade orientada: manter-se em movimento, dentro do limite da dor, em vez de ficar de repouso na cama.

Quando a dor é forte e não melhora com essas medidas, pode ser indicada uma infiltração, a aplicação de medicamento perto da raiz do nervo, guiada por imagem. A cirurgia é considerada em situações específicas: síndrome da cauda equina, fraqueza que vai piorando, ou dor que não melhora após tratamento adequado e tem relação com o que aparece no exame. Benefícios e riscos são explicados, e a decisão é conversada com o paciente.

O que ajuda no dia a dia

  • Fazer caminhadas curtas ao longo do dia, aumentando aos poucos
  • Evitar ficar muito tempo sentado: levantar e andar um pouco a cada meia hora, mais ou menos
  • Dormir de lado com um travesseiro entre os joelhos, ou de barriga para cima com um travesseiro embaixo dos joelhos
  • Carregar peso perto do corpo, dobrando os joelhos, e evitar girar o tronco com carga
  • Retomar exercícios e esportes de forma gradual, com orientação
  • Parar de fumar e manter um peso saudável, que ajudam a saúde da coluna

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre dor ciática

Dor ciática passa sozinha?

Muitas vezes a dor ciática melhora em algumas semanas a poucos meses, principalmente quando a pessoa se mantém ativa. Ainda assim, vale consultar um médico se a dor é forte, dura mais de algumas semanas ou vem com formigamento ou fraqueza, para entender a causa e ajustar o tratamento.

Qual médico procurar para dor ciática?

O ortopedista com atuação em coluna avalia a origem da dor, pede os exames necessários e conduz o tratamento, em conjunto com fisioterapeutas e outros profissionais quando preciso. Se houver sinais de alerta, o primeiro passo é o pronto-atendimento.

Dor ciática é sempre hérnia de disco?

Não. A hérnia de disco é a causa mais frequente, mas a ciática também pode vir da estenose do canal vertebral, da espondilolistese e, mais raramente, de outras condições. Por isso a consulta e o exame físico são importantes antes de definir o tratamento.

Posso fazer exercício com dor ciática?

Na maioria dos casos, sim. Caminhadas leves e exercícios orientados ajudam na recuperação. O ideal é respeitar o limite da dor, evitar carga pesada e impacto na fase aguda e retomar as atividades aos poucos, com orientação.

Dor ciática precisa de cirurgia?

Na maioria das vezes, não. A cirurgia é considerada quando há síndrome da cauda equina, fraqueza que vai piorando, ou dor que não melhora após tratamento conservador adequado e tem relação com o que aparece no exame. A decisão é conversada com o paciente.

Agende uma avaliação

Se a dor desce pela perna, volta com frequência ou atrapalha a rotina, uma consulta ajuda a entender a causa. O Dr. Márcio Crisanto atende em Recife (Boa Viagem e Paissandu), Olinda e Cabo de Santo Agostinho.

Agendar consulta